
Porque a mulher que amo é um altar onde cumpro a minha liturgia,
mesa que me alimenta com as mais finas vitualhas,
porto de abrigo para onde fujo e me reparo
dos estragos do temporal de todos os dias,
campo que lavro e onde lanço as sementes
da minha única esperança de imortalidade.
Onde as minhas mãos rudes e brutas se amaciam
numa carícia que tenta imitar
o doce roçar duma penugem e o coração
se me amansa por mil males que ela me tenha feito.
Onde a paz se procura num beijo que ela me queira oferecer
e perdões necessários sejam inquestionáveis,
de entrega imediata e
sem condições.
Onde sou homem tanto quanto a faço mulher
e mais homem ainda se a fizer Rainha.
Quando choro pela sua felicidade,
morro pela sua vida e a sinto no meu sangue.
Quando retenho meu passo para que ela chegue primeiro e isso,
ao invés de me diminuir,
me engrandece, agiganta.
Quando o olhar dela é tudo o que necessito para lhe ler a alma.
Quando um pouco que me dê, me enche e me extravaza e em tudo nela veja maravilha e contentamento.
Que me apeteça até, rasgar-me ao meio e abarcá-la.
Que nada haja de impossível fazer por ela!
E tudo, tudo isto, sem esperar,
sem pedir, sem exigir,... ter de volta!
E tão pouco é de dizer, pois não há palavras...
Dá-me tusa tremenda o seu ranger de dentes quando se crava
toda no meu pau fremente e encharcado nos seus sucos.
Quando me crava as unhas afiadas no peito e me esmaga,
desvairada, as mamas de encontro à minha boca sôfrega.
Me agarra pelo cabelo e me enfia o rosto entre as pernas,
doida com a minha língua,
gemendo e roncando para desassossego dos vizinhos.
Não pares, não pares, não pares...
Põe-me à beira do abismo com o seu revirar de olhos,
o morder do lábio,
o descair da cabeça para trás no abandono daquele vir-se frenético.
Quando para se saborear,
me engole até à raiz, sugando,
mamando, lambendo, mordiscando, fazendo-me
desfalecer.
Cavalgando-me, pulando em mim, torcendo-me todo,
obrigando-me a reinventar encavanços e estocadas que a façam gritar mais alto.
Adoro quando pressente a minha explosão e me fornica com maiores ganas ainda,
ansiosa pelo meu estertor,
pelo meu jorro, pelo meu urro animal.
E de repente... morro e renasço.
Aninho aquele corpo escaldante e suado no meu.
Então, serenamos,
trocamos piadas brejeiras,
risos, palavras bonitas...